A história do Rockabilly como dança

Neste post vamos falar brevemente (sim, esta é a versão breve!) sobre a história do Rockabilly como dança. Para isso temos que falar sobre a origem das danças que chamamos de “Swing Dances”, onde o Rockabilly se enquadra.

Entre 1890 e 1920 existiam diversos tipos de dança nos EUA, tanto de origem europeia e dos brancos, quanto bases de danças trazidas da África ou formadas pelos negros. Dentro destas duas origens temos o Two Step, Foxtrot, Slow Drag, Texas Tommy, Tap Dance, Black Botton, Charleston, Break Away, The Collegiate, Cake walk, entre tantas outras.

Da para ver que é uma loucura de diferentes danças e estilos na época, uma influenciando e se misturando a outra, um processo natural que acontece entre danças de mesma época e música similar. Lembrando que o que normalmente dita a forma e o estilo que se dança é a música que se está tocando.

Após o surgimento do Jazz e quando ele se torna a música popular americana, entre 1920 e 1930, as pessoas começam a juntar estas danças, usando como base principalmente o Charleston e o Break Away, e isso passa a formar a dança própria do Jazz das big bands e origem do Jazz, o Lindy Hop.

Lindy Hop nos dias de hoje

Dançarinos de Lindy Hop fazendo Charleston em apresentação ao vivo.

O Lindy Hop é considerado a base do que chamamos de “swing dances” e dá onde surgiram e se inspiraram a maioria das danças desta vertente, incluindo o que chamamos de Rockabilly.

Aqui poderíamos falar de várias vertentes e caminhos do desenvolvimento das Swing Dances. Por exemplo o Jive, que hoje em dia temos Modern Jive, Ballroom Jive e diversas variações que utilizam este termo, mas não devemos confundi-los com o Jive em sua origem. Então para isso vou me ater agora exclusivamente na “história do Rockabilly”.

O Rockabilly vem do Jive, e o Jive vem do Lindy Hop. O Jive em sua origem  surge por volta de 1940, principalmente como uma forma mais simples e fácil de se dançar ao som do Jazz, uma simplificação e facilitação da forma de dançar o Lindy Hop. Imaginem a seguinte cena, um soldado americano indo para a guerra em 1941, ele vai a um bar e começa a ensinar uma garota de Londres a dançar! O rapaz para fazê-la dançar simplifica e em vez de fazer passos complexos em 8 tempos faz os de 6 tempos, corta alguns triples steps, coloca alguns jogos de pés e está alteração do Lindy Hop vira outra dança, passamos então a dançar Jive. O Jive vira febre e passa a ser dançado em toda parte.

Soldados dançando em Julho de 1941 - imagem National Geographic

Soldados dançando em Julho de 1941 – imagem National Geographic

Após a guerra, lembrando que o que dita a forma que se dança é a música, o jazz das big bands é substituído como música popular e entra na moda a onda do Rock n Roll de 1950. O Lindy Hop e o Jive passam a ser dançados ao som do Rock n Roll e a suas vertentes musicais como o Boogie Woogie, ou o Rock n Roll “caipira”, a música Rockabilly. As danças então se transformam, o Lindy Hop vira Jitterbug, Rock n Roll, Boogie woogie, entre  outras e o Jive dançado ao som de rock n roll e da música Rockabilly também se transforma.

Nos estados unidos eles ainda chamam a dança de Jive e muitos ainda dançam bem parecido com as origens da dança, mas a grande parte já transformou o Jive original e o adequou a música Rock n Roll/Rockabilly.

Hoje em dia não dançamos mais o Jive original em um baile de Rockabilly, e sim uma alteração do Jive puxado pro estilo musical Rockabilly o que já o transformou em outra dança. Por isso acredito que o Jive “ao modo brasileiro”, ou outros lugares que dancem de forma similar, já é uma dança própria que podemos chamar de Rockabilly, Jive brasileiro, ou o jeito que acharmos mais adequado. No fim o nome que fica é o nome que pega, e a maioria já chama a dança de Rockabilly, então parece adequado manter o termo musical e associá-lo a dança, assim como ocorre com o Boogie Woogie, Samba, Forró e tantas outras danças por exemplo.

Rockabilly hoje em dia.

Dançarinos de Rockabilly em festa temática, 2015.

O importante mesmo é dançar com a música, o que se sente e se divertir.
Saber a história e origem dos passos e danças nos ajuda a entender o que realmente estamos dançando e o porquê disso. Isto abre nossa mente e corpo para muitas novas possibilidades!

Um exemplo básico é o do Charleston que é uma dança de origem em 1905, mas que é uma das principais bases do pai das swing dances, o Lindy Hop que se transformou em Jive em 1940 e que chega agora para nós como um dos passos no Rockabilly. Não é Legal? 😀

Nos vemos nas pistas.
Francisco Nogueira

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Leituras e referências recomendadas:

Jazz Dance: The Story of American Vernacular Dance de Marshall Stearns.
Biografias de dançarinos da época como Frankie Manning e Norma Miller.
Diversos estudos sobre as danças da época como os de Arthur Murray.
Documentário da BBC sobre Jive.
E usar o bom senso nas leituras e artigos que encontramos pela web.

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