Lois Long ou Lipstick, você já ouviu falar dela?

Não é à toa que LOIS BANCROFT LONG (15 de dezembro 1901 – 29 de julho de 1974) foi considerada uma celebridade na década de 1920. Sob o pseudônimo de Lipstick, a jornalista americana comunicava em suas colunas uma revolução nos costumes da qual ela mesma foi um dos maiores exemplos.

Após se formar em língua inglesa na Vassar College, Long se mudou para Nova York e passou a trabalhar na Vogue e, em seguida, na Vanity Fair como colunista de moda. No entanto, seu sucesso veio quando Harold Ross, em busca de escritores inteligentes e irreverentes para analisar “os eventos da semana de uma maneira não muito séria”, com uma voz “de alegria, sagacidade e sátira”, contratou-a para sua nova revista, The New Yorker. Segundo o historiador Joshua Zeitz, durante sua entrevista de emprego, Ross perguntou-lhe: “O que você pode fazer para esta revista?”, ao que ela respondeu abrindo um sorriso malicioso.

Assim, aos 23 anos de idade, Long, sob o pseudônimo de Lipstick (Batom), começou a escrever sobre suas saída noturnas para jantares regados a gin e danças. Verdadeiro modelo de flapper, o que no Brasil chamamos de melindrosa, ela trouxe para o conhecimento público a vida noturna da cidade de Nova York, uma cidade com speakeasies, clubes noturnos, danças, jazz e barcos a vapor navegando à meia-noite.

Nessa época, todos os bares dos Estados Unidos funcionavam na clandestinidade por causa da Lei Seca. Essa lei perdurou de 1920 a 1932 e proibia a produção, comercialização, distribuição e armazenamento de bebidas alcoólicas. Dessa forma, os bares (speakeasies) só permitiam a entrada de pessoas com cartões exclusivos e/ou que tivessem a senha do lugar. Long conhecia todas as senhas para os melhores clubes da cidade o que lhe garantiu sucesso certo na revista com seus textos sobre o submundo ilícito da cidade que aguçava a curiosidade dos leitores.

Sem poupar ninguém, a polêmica escritora costumava fazer observações ácidas sobre os clientes dos bares e clubes noturnos e também críticas a funcionários públicos, como o advogado distrital de Manhattan, Emory R. Buckner, responsável por fechar diversos speakeasies.

Mas talvez sua maior contribuição tenha sido o fato de suas colunas terem oferecido às leitoras da época um vislumbre de um estilo de vida no qual as mulheres podiam desfrutar das mesmas liberdades e até vícios dos homens, algo bastante novo para essa época em que as mulheres começavam a lutar por mais espaço na sociedade, como o então recém-adquirido direito ao voto. Seu comentário “Eu gosto de música, informalidade e alegria” é um símbolo da mentalidade flapper.

Referências
https://en.wikipedia.org/wiki/Lois_Long
http://tenement.org/blog/lets-get-drunk-and-make-love-lois-long-and-the-speakeasy/
https://timeline.com/lois-long-d94cd707ba58

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