Frankie Manning, o Embaixador do Lindy Hop.

Ao pensar em Lindy Hop, qual o primeiro nome que vem à sua mente?

Frankie Manning, seria a resposta de muita gente.

Manning nasceu na Flórida, em 1914. Seus pais se separaram quando ele tinha três anos, o que ocasionou sua mudança para Harlem, com sua mãe.

Frankie começou a se interessar pela dança ainda criança, inspirado por sua família na Carolina do Sul, quando ia visitá-los nas férias. Aos sábados, fazendeiros e moradores chegavam à fazenda para tocar e dançar na varanda da frente. A avó de Manning encorajou o menino tímido a sair no quintal e dançar com os outros. Uma vez que entrou no círculo, não quis mais parar.

Em 1927 começou a assistir às danças no Renaissance Ballroom, em Nova York. Sua mãe o convidou para ajudá-la a decorar o salão de baile para uma festa de Halloween. Frankie havia visto sua mãe dançar apenas casualmente, em festas de família, e ficou surpreso naquela noite ao vê-la dançando estilos mais formais como foxtrot e valsa. Após uma dança juntos, ela disse: “Frankie, você nunca será um dançarino, porque é muito duro.”

Manning amava sua mãe e sempre queria agradá-la, por isso foi aprender a dançar. Ouvindo música em seu quarto, praticava passos com uma vassoura ou uma cadeira, tentando se soltar. Tempos depois, começou a frequentar o Harlem Savoy Ballroom, o único salão de baile interracial de Nova York.

Savoy seria o local onde algo extraordinário aconteceria. Mas antes de continuarmos a história, deixamos pra você um pouco do swing de Frankie Manning.




Frankie Manning começou a dançar nas tardes de domingo no Alhambra Ballroom e depois passou a frequentar o Rennaissance Ballroom. Sua “ida” para o Harlem’s Savoy Ballroom aconteceu na década de 30. Logo ele faria parte da elite de dançarinos do salão, que se tornaria “sua segunda casa”, pois tinha a liberdade de frequentar o local sempre que quisesse, inclusive enquanto as bandas ensaiavam; era o local onde poderia encontrar os amigos e trocar ideias sobre a dança.

Mas o que aconteceu no Savoy de tão extraordinário?!

Em 1935, o grupo de George “Shorty” Snowden, inventor do termo Lindy Hop e considerado o rei do LH, desafiou Manning e seus amigos em uma competição. A banda que tocava naquela noite tinha como líder Chick Webb, baterista que contratou Ella Fitzgerald para ser a voz feminina de seu grupo. O Savoy estava lotado. Durante a dança, Frankie e Frieda Washington, sua parceira, realizaram o “back to back roll”, movimento considerado como o primeiro aéreo de uma swing dance. O público foi à loucura e eles ganharam a competição.

A pedido da elite local, que gostaria de apresentações de  Lindy Hop em suas festas, Herbert “Whitey” White, que conhecia bem os dançarinos do Savoy, organizou um grupo de Hoppers que ficou conhecido como Whitey’s Lindy Hoppers. Frankie Manning se tornou o coreógrafo e criou algumas das rotinas conhecidas até hoje, expandindo seu dom de transformar a música em emocionantes movimentos de dança. Junto com outros grandes dançarinos, viajou o mundo e participou de diversos filmes. Uma de suas parceiras foi Norma Miller, que ficou conhecida como a Rainha do Swing. Para Frankie, não era trabalho, tudo era diversão.

Frankie criou um estilo único de dançar, seu corpo se inclinava de modo diferente dos dançarinos que o inspiravam. Era rápido com os pés e tinha uma musicalidade afiada. Manning deu expressão física à batida, à sensação e ao excitamento do som e do balanço das Big Bands. Tudo aquilo era emocionante para ele. Ele sabia dançar, sabia como se mover ao som da música, mas contou que não entendia as marcações que aconteciam durante as aulas de dança no estúdio de Fred Astaire, quando foi visitá-lo uma vez: 1-2-3-4-5…

A Segunda Guerra Mundial acabou dissolvendo Whitey’s Lindy Hoppers, pois muitos dançarinos entraram para as forças armadas, incluindo Frankie. Após a guerra, Manning criou um pequeno grupo chamado Congaroos, que durou até 1955. Frankie Manning entrou para o serviço postal dos Estados Unidos, carreira que duraria 30 anos.

Mas por que ele retomou as atividades na dança e como aconteceu o revival do Lindy Hop?

Al Mins, que fez parte do grupo Whitey’s Lindy Hoppers, começou a dar aulas em 1982, introduzindo o Lindy Hop a uma nova geração de dançarinos. Ele comentou com os alunos sobre Frankie Manning, dizendo que a lenda ainda morava em Nova Iorque.

Em 1986 Manning foi procurado por Erin Stevens e Steven Mitchell, que gostariam de ter aulas com o dançarino e coreógrafo. Frankie precisou ser convencido de que realmente havia uma nova geração interessada no Lindy Hop. Os dois alunos voltaram para Califórnia e começaram a espalhar a dança para diversas áreas dos EUA. E assim começou o revival da swing dance.

Lennart Westerlund, da Suécia, entrou em contato com Manning e convidou-o para trabalhar com o grupo The Rhythm Hot Shots. A partir de 1989 Manning visitaria a Suécia todos os anos para ensinar no Herräng Dance Camp, o maior acampamento de Lindy Hop. Frankie passaria a viajar pelo mundo, espalhando a magia de sua dança através de oficinas, palestras e apresentações. Ocasionalmente aparecia com Norma Miller, grande amiga e parceira da juventude.

Desde então, Frankie passou a coreografar números de dança para várias companhias, como Alvin Ailey American Dance Theater, American Ballroom Theater, Zoots and Spangles (England), The Jiving Lindy Hoppers (England), The Rhythm Hot Shots (Sweden) e New York’s own Big Apple Lindy Hoppers, onde trabalhou como director artistico e coreógrafo chefe. Em 1992, Frankie foi consultor de dança e dançarino no filme de Spike Lee, ‘Malcolm X’. Em 1989 Frankie recebeu o Tony Award de melhor coreografia no musical da Brodway ‘Black and Blue’. Ao longo dos anos, recebeu diversas outras premiações.

A dança possibilitou que Frankie revisitasse locais aonde não ia há décadas: visitou Melbourne, na Austrália, pela primeira vez em 1939, para se apresentar no Princess Theatre. O Melbourne’s Swing Patrol o levou novamente para lá em 2002, 63 depois.

Manning foi entrevistado para centenas de artigos de revistas e jornais, documentarios, programas de notícias e livros. Em reconhecimento à sua importância histórica, a Universidade de Oxford incluiu, em 1998, artigos sobre ‘Frankie Manning’ e ‘Lindy Hop’ na Enciclopédia Internacional da Dança. Frankie foi convidado para compartilhar suas histórias no Festival Nacional do Livro de 2003, em Washington.

As celebrações anuais do aniversário de Manning atraíam dançarinos e instrutores do mundo todo. Seu aniversário de 80 anos, em 1994, foi comemorado durante todo um final de semana em Nova Iorque. O 85º culminou em uma festa lotada no Roseland Ballroom, onde um dos seus pares de sapatos de dança foi colocado em uma vitrine junto com o de Fred Astaire. Para o seu 86º aniversário, uma grande festa de gala foi realizada em Tóquio, que atraiu uma enorme multidão de japoneses e estrangeiros entusiastas. Foram organizadas viagens de cruzeiros em homenagem aos seus 89º e 90º aniversários. Nestes dois anos, Manning seguiu seu costume de dançar com uma mulher para cada ano de sua vida, ou seja, 89 e 90 mulheres, respectivamente.

Manning faleceu em Manhattan, em abril de 2009, aos 94 anos.

Frankie havia planejado comemorar seu aniversário de 95 anos em Nova Iorque, em um evento especial de Lindy Hop. A festa aconteceu mesmo sem a presença do dançarino e foi chamada de Frankie Fest ou Frankie 95, agregando dançarinos do mundo todo. Como parte da homenagem, foram realizados e postados mais de 160 vídeos de Lindy Hop no Youtube. No domingo de Frankie 95, os participantes tentaram estabelecer três recordes para entrar no livro Guinness World Records, incluindo o maior número de pessoas dançando o Shim Sham simultaneamente no mesmo lugar: no Central Park. Os rendimentos da celebração de cinco dias do Frankie 95 foram utilizados ​​para criar a Frankie Manning Foundation. A comemoração de seu 100º aniversário agrupou 2.500 pessoas em Nova Iorque, vindas de 47 países.

Em julho de 2012, uma estrada na aldeia de Herräng, na Suécia, foi nomeado de Frankie Mannings, como um presente para o jubileu de 30 anos do Herräng Dance Camp.

“Eu não estou interessado em fama e glória. É que eu gostaria que os outros soubessem como esta dança é feliz. “

Quer saber mais sobre Frankie Manning? Indicamos o livro ‘Frankie Manning: Ambassador of Lindy Hop’, escrito com a co-autoria de Cynthia R. Millman e publicado pela Temple University Press.

Referências:

http://www.savoystyle.com/frankie_manning.html

http://www.frankiemanningfoundation.org/frankie-manning/

http://www.telegraph.co.uk/technology/2016/05/25/who-was-frankie-manning-and-what-is-the-lindy-hop/

https://en.wikipedia.org/wiki/Frankie_Manning

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