Ella Fitzgerald. Este nome é familiar pra você?

Ela foi a cantora de jazz mais popular nos Estados Unidos por mais de cinquenta anos. Iremos contar um pouquinho sobre a vida da “First Lady of Song”, ou “Primeira Dama da Música”, em português.

Ella Jane Fitzgerald nasceu em 1917 na Virginia. Seus pais se separaram pouco tempo depois e a menina se mudou para Nova York com a mãe e seu namorado. Ella assumia pequenos trabalhos para ajudar nas despesas da casa, gostava de jogar baseball com os vizinhos e dançar e cantar com os amigos. Algumas noites tomavam o trem para Harlem e assistiam a peças no Teatro Apollo.

A partir de 1932, Ella teve perdas difíceis. Primeiro a mãe, por conta de ferimentos graves decorrentes de um acidente de carro. Pouco depois o padrasto, por conta de um ataque cardíaco e em seguida, sua meia-irmã.

A vida da menina virou de cabeça para baixo. Cada vez mais infeliz, seu desempenho na escola piorou, ela se envolveu com trabalhos perigosos e teve problemas com a polícia. Ficou um tempo em um reformatório, mas a violência física que sofria a fez fugir. Viveu na rua por um tempo até ser internada no Asilo de Órfãos de Cor no Bronx, em Nova York.

Em 1934 o nome de Ella foi colocado em um cartaz do Teatro Apollo, aquele que ela costumava frequentar. Após conquistar o público com sua voz, teve a oportunidade de competir em uma noite para amadores, onde ganhou o prêmio principal.

Sua carreira estava apenas começando.

Ainda adolescente, pouco tempo depois de conquistar o público do Teatro Apollo em 1934, Ella conheceu os músicos de Tiny Bradshaw, banda cujo líder era Chick Webb. Chick procurava uma voz feminina para seu grupo, mas achava a cantora “desajeitada e malcuidada, um diamante bruto”.

A primeira dama do jazz era tímida e reservada. Por conta do que diziam de sua aparência, chegou a duvidar de suas habilidades por um tempo. Mas no palco Ella descobriu que não tinha medo. Se sentia em casa sob os holofotes.

A entrada de Ella na banda aconteceu após um teste, quando tocaram em um baile na Universidade de Yale.  Gravaram sucessos como “Love and Kisses” e “(If You Can’t Sing It) You’ll Have to Swing It” (Mr. Paganini). Passaram a se apresentar regularmente no Harlem’s Savoy Ballroom, local frequentado pelo grande Lindy Hopper Frankie Manning, com quem Ella teve a oportunidade de dançar. A gravação de “A-Tisket, A-Tasket” foi o ponto que tornou Ella famosa. Chick Webb faleceu em 1939 e a banda passou a se chamar “Ella Fitzgerald and her Famous Orchestra”.

Em 1942, Fitzgerald começou carreira solo, gravando com artistas como Louis Jordan, Ink Spots e os Delta Rhythm Boys. Apareceu regularmente na série de concertos Jazz at the Philharmonic.

Foi com o declínio da era do swing jazz que Fitzgerald se reinventou: o bebop influenciou seu estilo vocal e a cantora passou a introduzir o scat – cantar vocalizando sem palavras ou com sílabas e palavras sem sentido – em suas músicas. Versões de “Flying Home” e “Oh, Lady be Good!”, utilizando, respectivamente, as técnicas citadas acima aumentaram sua fama como grande cantora de jazz.

Em 1955 nasceu a Verve Records, gravadora criada em torno de Ella.  Foi realizado o Ella Fitzgerald Sings the Cole Porter Songbook, obra aclamada pela crítica, importante contribuição à cultura americana e à disseminação do jazz para o público que não tinha familiaridade com o estilo. Outros projetos foram Ella Fitzgerald Sings the Duke Ellington Song Book, Ella Fitzgerald Sings the Irving Berlin, Ella Loves Cole, Nice Work If You Can Get It e Ella Abraça Jobim, onde interpretou canções de Tom Jobim. Em 1958 Fitzgerald ganhou dois Grammys, sendo a primeira mulher africana-americana a ganhar tal prêmio.

Além da dedicação aos álbuns, Ella se apresentava ao vivo durante 40 a 45 semanas por ano. Os shows renderam álbuns elogiados pelos críticos, como Ella at the Opera House, Ella in Rome, Twelve Nights In Hollywood e Ella in Berlin.

A partir de 1963 algumas coisas começaram a mudar. A dama do jazz se viu obrigada a mudar de gravadora em 1963, quando a Verve Records foi vendida à MGM, e não renovou seu contrato. Na verdade, ela trabalhou com a Atlantic, a Capitol e a Reprise, e acabou se distanciado do repertório clássico de jazz. Neste período gravou um álbum de canções natalinas tradicionais, outro com influências country e ‘30 by Ella’. Seu último single nas paradas de sucesso dos Estados Unidos foi o cover de “Get Ready”, de Smokey Robinson. Ella gravou cerca de 20 álbuns para a Pablo Records.

Na década de 70, ainda na ativa, Fitzgerald se apresentou em concertos ao redor do mundo, às vezes realizando dois shows, no mesmo dia, em cidades diferentes. ‘Ella in London’, gravado ao vivo em 1974, é considerado um de seus melhores álbuns. Neste mesmo ano, gravou uma série memorável em Nova Iorque, durante duas semanas, com Frank Sinatra e Count Basie.

Ella tinha uma profunda preocupação com o bem-estar das crianças. Embora esse aspecto de sua vida raramente fosse divulgado, freqüentemente fazia doações generosas a organizações para jovens desfavorecidos; a continuação dessas contribuições era parte da força que a impedia de desacelerar. Além disso, quando sua irmã Frances faleceu, Fitzgerald sentiu que tinha a responsabilidade de cuidar da família que ela havia deixado.

Seus problemas de saúde começaram a se agravar nos anos 80: cirurgia no coração, diabetes, cegueira e problemas na voz. Seu corpo passou por processos complicados e dolorosos. A mídia suspeitava que Ella nunca mais seria capaz de cantar novamente, mas a artista provou o contrário. Mesmo com os protestos da família e de amigos, voltou aos palcos e retomou uma agenda exaustiva.

Em 1987 o presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, concedeu a Ella Fitzgerald a National Medal of Arts. Era um de seus momentos mais importantes. França seguiu o exemplo vários anos mais tarde, presenteando a cantora com o prêmio Commander of Arts and Letters.

Ella fez sua última gravação em 1989 e sua última apresentação ao público em 1991, no New York’s Carnegie Hall. Era a 26ª vez que se apresentava na casa.

Ella Fitzgerald morreu em junho de 1996, em Beverly Hills.

Em sua carreira, gravou mais de 200 álbuns e 2.000 canções. Ganhou 13 Grammy Awards, o NAACP Image Award for Lifetime Achievement e o Presidential Medal of Freedom. Desde sua morte, Fitzgerald foi homenageada e lembrada de muitas maneiras. O serviço postal dos Estados Unidos honrou a cantora com um selo comemorativo do 90º aniversário de seu nascimento. O álbum ‘We All Love Ella: Celebrando a Primeira Dama da Canção’ contou com a participação de artistas como Gladys Knight, Etta James e Queen Latifah.

Referências:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ella_Fitzgerald

http://www.biography.com/people/ella-fitzgerald-9296210#rising-jazz-star

http://www.ellafitzgerald.com/about/index.html

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