A International Sweethearts of Rhythm e as “all-girls big bands”

Neste 8 de março gostaríamos de homenagear mulheres que fizeram parte da história do jazz, mas não costumam ser lembradas. Porque, se já não era fácil ser cantora e pianista (atividades consideradas “apropriadas para mulheres” no início do século passado), que dirá tocar trompete ou saxofone, instrumentos considerados “masculinos”. Imagina então uma big band formada só por mulheres?

A International Sweethearts of Rhythm foi notável por duas razões: por ser a primeira “all-girls big band” com integração racial e pela qualidade da sua música. Formada em 1937, a banda se profissionalizou em 1941, excursionou por todo o EUA e, junto com o exército americano, pela França e Alemanha ocupada durante a guerra. Teve considerável popularidade, tocando até no Apollo Theater, no Harlem, mas sofreu dos mesmos males que as demais big bands femininas: consideradas mais como uma atração pitoresca do que músicas profissionais, eram ignoradas pelos críticos e pelas gravadoras. Com poucos discos para a posteridade, as bandas femininas quase desapareceram da memória do jazz — e, segundo a historiadora Sherrie Tucker, existiram mais de cem delas.

A International Sweethearts of Rhythm teve um pouco de sorte neste aspecto: apareceu em alguns filmes e teve canções gravadas pelo exército. No entanto, foram lembradas antes pelos movimentos feministas dos anos 70 do que pelos historiadores do jazz. Após se dispersar em 1949, o grupo se reuniu algumas vezes para apresentações, e hoje há livros, entrevistas e documentários sobre elas e outras big bands femininas. Quem dera tivessem sido lembradas pela noite de 1944 em que, numa batalha de bandas, venceram a big band de Erskine Hawkins.

Confira o som da big band:

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